


Vitrine 15
Tema: Festa de Santa Cruz e Rosa Mística
Quilombo de Rodrigues


Festa de Santa Cruz e Rosa Mística
De acordo com a tradição popular, as cruzes e cruzeiros são lugares sagrados locais de orações e promessas. Nas comunidades quilombolas do distrito de São José do Paraopeba, no período de seca, as mulheres dirigiam-se para a Santa Cruz com latas d’água, cabaças e carregando pedras em suas cabeças. Quando lá chegavam, lavavam os pés da cruz, rezavam e ali depositavam as pedras pedindo chuva para molhar as roças. Contam os moradores, que muitas vezes, antes mesmo de regressarem a suas casas, a chuva caía.
A Festa de Santa Cruz de Rodrigues é uma das mais antigas da região dos quilombos. Antes de existir uma igreja no local, era aos pés da cruz que as pessoas se reuniam para rezar o terço no dia 03 de maio, na Exaltação da Santa Cruz. Os fiéis rezavam e, em seguida, erguiam o Mastro da Santa Cruz acompanhado por uma elaborada queima de fogos, preparada pelo antigo morador Joaquim de Souza.
Após o falecimento do Sr. Joaquim, os moradores de Rodrigues se uniram para celebrar a Santa Cruz, construindo uma capela na comunidade. Atualmente, as celebrações têm início com uma novena, que acontece por nove noites antes do primeiro domingo do mês de maio. Na última noite de oração, o mastro é erguido e, no domingo, é realizada uma missa solene na capelinha.
A partir de uma promessa feita por Vicentina das Mercês Santos Cruz, uma moradora já falecida de Rodrigues, passaram também a celebrar Nossa Senhora Rosa Mística junto à Exaltação da Santa Cruz, incluindo a enunciação da Ladainha de Nossa Senhora nas noites da novena e erguendo também um mastro com a bandeira da Virgem Maria.
Com o passar do tempo, as guardas de Moçambique e Congo também começaram a participar da festa de Santa Cruz e Rosa Mística. São elas que buscam o mastro na casa dos Mordomos e as bandeiras de Santa Cruz e Rosa Mística na casa dos Festeiros, para serem erguidos no adro da capela. No domingo de festa, é servido um almoço para todos os participantes. No final do dia, realizam o descendimento do mastro, ao som dos tambores das guardas, encerrando a festa.
No altar da capelinha de Rodrigues, se destaca um Cruzeiro com as Armas de Cristo, demonstrando a importância da Santa Cruz para a comunidade e toda a região dos quilombos.
Fontes:
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Entrevista Maria Matuzinha das Graças Santos Anjos
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Relato: Doraci Higina da Silva; Adriana Regina Braga Silva
Galeria de fotos com recolha, tratamento e exposição
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